No segundo dia do ciclo de palestras sobre Cuidados Paliativos organizados pelo Sebanop (Seminário Batista do Nordeste Paulista), o tema abordado discutiu a questão da espiritualidade e da religião, com o tema: Reflexões sobre Espiritualidade e a Amplitude da Vida em sua Finitude. Ministrada pelo Pr. Rubens Ramos Guidorrizzi, professor do Sebanop.


O Pr. Rubens colocou que a espiritualidade é um objeto de atenção na área da saúde, desde que esteja o mais longe possível da religiosidade, existindo apenas para que a pessoa receba algum tipo de consolação. Isso porque para as ciências exatas aceitar a religiosidade e as crenças religiosas por trás da espiritualidade, significa aceitar o não real, não científico. Não se tratando apenas de diferenciá-las, mas de separá-las, não confundindo o espiritual aceitável pela ciência, com as práticas de uma determinada crença. Portanto, muitas vezes é muito difícil discutir ou visualizar a importância da espiritualidade para os pacientes nos leitos dos hospitais.
O que se vê é uma constante busca da ciência em provar positiva ou negativamente as questões humanas que envolvem a espiritualidade, pois enquanto os cientistas não puderem tratar desta questão de modo exato, sempre terão dúvidas a respeito, e conseqüentemente uma não aceitação.
Mas até onde essa espiritualidade pode existir separadamente da religião sendo ainda compreensiva ao ser humano? O Pr. Rubens coloca que o máximo que podemos compreender sem entrar em religião, é quando chegamos a uma visão antropocêntrica. A espiritualidade em um sentido mais filosófico é uma compreensão mais abrangente, mas em um sentido mais específico, o religioso, é uma compreensão mais profunda. Essa compreensão de que com a religião o espiritual tem mais sentido para o homem deve guiar-nos. Não podemos fazer convencionalismos, sermos politicamente corretos porque convém a um grupo ou ambiente.
Devemos ver a espiritualidade como uma fé no real, expressão de algo real, existente. Para a ciência o espírito é algo abstrato, que morre juntamente com o homem. Mas o homem é um ser transcendente e o espírito permite isso. Se o fim da vida fosse realmente o fim o homem não se preocuparia com o depois, mas se isto o inquieta é porque existe mais do que a ciência admite. Essa espiritualidade do homem se manifesta em tudo que ele faz. Então, como colocou o Pr. Rubens, levar as respostas ao coração inquieto do homem, que está sedento da verdade de Cristo, não precisa ser somente na prática de Cuidados Paliativos, a espiritualidade pode chegar às pessoas independentemente disto, satisfazendo a busca que a filosofia e a ciência não podem.
O Pr. Rubens também chamou à atenção a importância do ouvir, para alguém que fala de espiritualidade a pessoas nesse estado. “O amor não deve existir somente quando nos dispomos a falar, mas também na capacidade de ouvir”, compartilha o pastor. Lembrando ainda, que precisamos ter cuidado com a singularidade das pessoas, sempre atentos a comunicação, para compreendermos e nos fazer compreender.
Cuidados Paliativos é uma oportunidade para anunciarmos o amor de Cristo, e mesmo de praticarmos esse amor, mas alguém envolvido em uma equipe deste tipo de atendimento deve estar ciente das diferenças de religiões e crenças, sabendo respeitar quando um paciente decide falar com outro líder religioso, ou mesmo se mostrando fechado ao que um líder espiritual pretende compartilhar. Não devemos praticar ecumenismo, mas respeitarmo-nos pelo bem maior do conforto da pessoa assistida.
A palestra de amanhã será ministrada não no teatro do colégio Metodista, mas na sede da Igreja Metodista, na Rua São Sebastião, 728, Centro, às 19h30min. A palestrante da noite será a psicóloga Dra. Erika Arantes de Oliveira, com o tema “Estratégias de acolhimento para o paciente e a família em situação de perda e luto”, abordando assim, um pouco de como a equipe de Cuidados Paliativos trabalha para dar maior conforto aos familiares no momento do luto.
Lorena Marcatto Nunes – Bacharel em Jornalismo – PUC Campinas
Colaboradora do SEBANOP