A Semana Teológica realizada pelo Sebanop (Seminário Batista do Nordeste Paulista) traz como tema este ano Cuidados Paliativos. As Palestras acontecem entre os dias 29 de março a 1º de abril, no Teatro do Colégio Metodista, na rua Lafaiete, 695, no Centro de Ribeirão Preto, exceto pelo dia 31 de março, quando o encontro será na própria sede da Igreja Metodista, localizada na rua São Sebastião, 728, também no Centro.

Os temas abordados pelos três palestrantes são desde os princípios e fundamentos de Cuidados Paliativos, até estratégias de como acolher pacientes e familiares, e, mesmo quais as esperanças para um paciente em estado terminal.

Ontem, a palestrante convidada foi a Praª Drª Marysia Mara Rodrigues Prado de Carlo, docente da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto e coordenadora do grupo de Cuidados Paliativos do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, que palestrou o tema: “Princípios e Fundamentos de Cuidados Paliativos”, e explicou um pouco do que é esse trabalho e como isso pode ajudar pacientes com doenças crônico degenerativas.
Marysia abordou a dificuldade de falar sobre morte com pacientes e familiares, e que, no momento de uma doença terminal as pessoas ficam mais carentes e vulneráveis, mas a família e amigos tendem a se afastar e isolá-las. Colocou ainda que, atualmente, é mais difícil falar sobre essa finitude da vida, pois com os avanços tecnológicos, principalmente na área da saúde, as pessoas têm a ilusão de poder viver eternamente. A verdade é que com esse aumento da idade da população, tem aumentado também as doenças crônicas e progressivas, e, portanto, cresce também o número de pessoas em estado terminais nos hospitais.
É nesse contexto em que os profissionais envolvidos em Cuidados Paliativos irão trabalhar. Tentando encontrar algumas respostas à situação desses pacientes. “Como promover qualidade de vida a essas pessoas? Como morrer com qualidade de vida e dignidade?” Assim, Marysia traz como definição de Cuidados Paliativos: Um conjunto de medidas capazes de prover uma melhor qualidade de vida do portador de uma doença crônico degenerativa e a seus familiares, oferecendo suporte emocional, social e espiritual, desde o diagnóstico da doença até o momento do luto familiar.
Existe então uma mudança no tratamento a um paciente em estado terminal. Antes no modelo curativo tradicional, só se buscava a cura, e cuidados apenas para os sintomas físicos do paciente, hoje, no modelo de atenção integral, existe um controle desses sintomas, dando conforto ao paciente, cuidados também voltados a família, e tratamento tanto dos sintomas físicos, como também dos psicossociais, emocionais e espirituais. Na equipe multiprofissional de Cuidados Paliativos, é pensado até mesmo o lado espiritual, e no conforto que o sentido da fé traz a vida de uma pessoa e seus familiares, no momento de sua morte.
Hoje, em Ribeirão Preto o grupo com o qual Marysia trabalha no HC, conta com vários representantes de diversas religiões, e são solicitados conforme pedido do paciente e família. Além de reuniões organizadas durante a semana, com dias diferentes a cada religião, em que os pacientes e familiares ficam a vontade para visitar. “Percebe-se que, as pessoas que tem alguma fé, e sentido na vida, enfrentam melhor essas situações”, explica Marysia, sobre a importância da parte espiritual no atendimento.
Essa equipe de profissionais vai buscar sempre encontrar um equilíbrio entre a luta pela vida e a aceitação da inevitabilidade da morte, para dar ao paciente uma vida com conforto e qualidade enquanto se é possível vivê-la.
Marysia abordou a importância de um hospital ter uma equipe de Cuidados Paliativos, pois pesquisas internacionais mostram que há uma redução de custos nos hospitais com grupos desse serviço. Pois, reduz-se o tempo de tratamento, tempo de internação e há maior controle da medicação e tratamentos utilizados pelos pacientes.
Ainda não são todos os hospitais de Ribeirão e região que contam com esse tipo de atendimento, mas essa idéia tem ganhado força. O HC de Ribeirão Preto já institucionalizou a criação de uma equipe de Cuidados Paliativos, com a oficialização a equipe ganha força e credibilidade. Além disso, existe a criação de um projeto piloto entre o HC e o SAD (Serviço de Atenção Domiciliar) da prefeitura, para levar Cuidados Paliativos a pacientes que já não podem se locomover constante e facilmente aos hospitais. Uma mostra que profissionais de diversas áreas tem percebido a necessidade e humanidade de se oferecer melhores condições de conforto e qualidade a pacientes em estados terminais.
Para quem está interessado em saber mais do assunto, hoje, dia 30, o encontro acontece novamente no Teatro do Metodista, às 19h30min, com o tema “Estratégias de acolhimento para o paciente e a família em situação de perda e luto”. A palestrante Drª Erika Arantes de Oliveira é psicóloga, e vai falar sobre a importância de assistir a família desses pacientes mesmo depois da morte.
Lorena Marcatto Nunes – Bacharel em Jornalismo PUC – Campinas
Comunicação da Igreja Batista Marincek